Efemérides: 13 de maio e a redentora
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PROGRAMAÇÃO |
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12 de Maio de 2008 |
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15h |
Palestra A Irmandade de N. S. do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos e o Movimento Popular Abolicionista Prof. Dr. Eduardo Silva Pesquisador-titular da Fundação Casa de Ruy Barbosa e Sócio do IHGB Autor de As Camélias do Leblon e a Abolição da Escravatura - uma investigação de História Cultural (Cia. Das Letras, 2003) |
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Local: Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos Rua Uruguaiana, 77 - Centro |
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13 de Maio de 2008 |
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9h |
Homenagens a D. Isabel e aos Grandes Abolicionistas |
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Local: Monumento à Redentora Av. Princesa Isabel, s/nº - Leme (em frente ao Hotel Méridien) |
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12h |
Missa e Ofício DE PROFUNDIS pelas almas da Família Imperial, dos Abolicionistas e dos Escravos do Brasil |
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Local: Imperial Irmandade dos Homens Pretos Rua Uruguaiana, 77 - Centro |
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16h |
Missa Solene em Ação de Graças pelos 120 anos da Redenção do Brasil |
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Memória de D. JOÃO PRÍNCIPE REGENTE, que exatamente 200 anos atrás celebrou seu primeiro aniversário natalício com Missa e TE DEUM na Igreja do Rosário, então sé-catedral do Rio de Janeiro
Memória de AFONSO HENRIQUES DE LIMA BARRETO, o grande literato brasileiro nascido a 13.05.1881
Local: Imperial Irmandade dos Homens Pretos Rua Uruguaiana, 77 - Centro |
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18h |
Solenidade da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro na Irmandade |
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Entrega dos Títulos de Benemérito do Estado do Rio de Janeiro, em caráter POST-MORTEM, aos Grandes Abolicionistas
JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA - o Patriarca da Independência (*1763 †1838) JOSÉ MARIA DA SILVA PARANHOS - o Visconde do Rio Branco (*1819 †1880) ANTONIO FREDERICO DE CASTRO ALVES - o Poeta dos Escravos (*1847 †1871) JOSÉ CARLOS DO PATROCÍNIO - o Tigre da Abolição (*1853 †1905)
Iniciativa de Suas Excelências os Senhores Deputados Estaduais Gilberto Palmares, Presidente da Comissão dos 120 anos da Abolição (ALERJ) Luiz Paulo Corrêa da Rocha, Líder do PSDB na ALERJ Marcelo Freixo, Líder do PSOL na ALERJ Paulo Ramos, Líder do PDT na ALERJ
Receberão os Títulos de Benemérito as senhoras descendentes dos Grandes Abolicionistas
Local: Imperial Irmandade dos Homens Pretos Rua Uruguaiana, 77 - Centro |
Escrito por Brasil Independente 2008 às 19h28
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TEMA 8 - Lista de documentos
TEMA 8: A questão territorial e o problema do controle da população
Documento(s):
- Relatorio apresentado a Assembléa Legislativa Provincial da Parahyba do Norte pelo excellentissimo presidente da provincia, o dr. Antonio Coelho de Sá e Albuquerque em 3 de maio de 1852. Parahyba, Typ. de José Rodrigues da Costa, 1852, p.3-5 (tópico .referente à "Tranquilidade Pública").
- Correspondência variada enviada por Juízes de Direito de Pernambuco por ocasião da “Revolta do Ronco da Abelha” (também conhecida como “Guerra dos Marimbondos”). Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano – Pernambuco, Livro JD10, 1 de janeiro a 22 de março de 1852.
Escrito por Brasil Independente 2008 às 18h28
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TEMA 8 - Relatório do Pres. da Prov. da Paraíba 1852 - pag. de rosto

Escrito por Brasil Independente 2008 às 18h27
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TEMA 8 - Relatório do Pres. da Prov. da Paraíba 1852 - p. 3

Escrito por Brasil Independente 2008 às 18h26
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TEMA 8 - Relatório do Pres. da Prov. da Paraíba 1852 - p. 4

Escrito por Brasil Independente 2008 às 18h26
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TEMA 8 - Relatório do Pres. da Prov. da Paraíba 1852 - p. 5

Escrito por Brasil Independente 2008 às 18h25
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TEMA 8 - Correspondênia de Juízes de Direito
APEJE – Arquivo Publico Estadual Jordão Emerenciano (Pernambuco)
Livro JD10, 1 janeiro a 22 março 1852
fl.22 - “Ontem as 6 horas da tarde foi entregue da prezadissima carta de Vexcia com data de 2 do corrente, estando eu no engenho novo desta Freguesia onde fora passar os dias santos de festa. Dizer que estava no engenho novo isto é, no segundo Distrito de Paz desta mesma Freguesia é dizer que me achava no lugar onde os povos se tem mostrado mais contrários ao Decreto de 18 de junho. Pelo meu oficio de ante ontem que remeti pelo correio saberá Vexcia o que se passou e as desgraças que deixaram de ter lugar pela misericórdia de Deus (...). Na Escada nada apareceu e só ouvi dizer que no engenho Jundiá houve uma reunião de cinqüenta senhores de engenho, cujo fim ignoro qual seja. Esta notícia carece ainda de confirmação. O que posso porem com certeza afirmar à Vexcia é que tanto na Freg. da Escada como nesta e na Capela Curada da Ronda, que é a do referido 2o. distrito, os povos se acham inteiramente insubordinados, e revoltos, e creio que mais insolentes inda se tornarão quando souberem que tem havido juntamentos na Comarca de Paudalho. Devo ainda dizer a Vexcia que he extraordinário o temos dos Capellões: o da Capella Curada da Ronda queria domingo 4 do corrente batizar duas crianças, independente da certidão exigida pelo decreto, e dó deixou de o fazer pela minha mui grande insistência para que observasse a lei: hontem 5 estava na mencionada Capella hum cadáver sem haver quem o sepultasse; o mesmo capellão na missa de hoje declarou que não administrava mais o sacramento do Batismo. Em tudo reina a confusão e com qto depois de acabadas as missas do dia 1, não se tenha mais visto percorrer as entradas grupos armados todavia inda se encontrão em todas as direções hum ou outro homem armado com granadeiras e bacamartes.
Na minha viagem do engenho novo para aqui vi em algumas casas não pouco armamento encostado nas paredes das salas de entrada como que preparado para primeira ocasião. Urge por todos estes motivos que venha para aqui hum destacamento respeitável, e que cheque antes do levantamento da bandeira do padroeiro que terá lugar no dia 8 pelas nove horas da noite, visto que então há de se reunir na forma do costume grande quantidade de povo e pode verificar-se algum desaguisado.
O motivo pelo qual o povo se ostenta tão descontente e ameaçador he porque diz que as disposições do Decreto tem por fim captivar os seus filhos, visto que os Ingelzes não deixão mais entrar Africanos. Não há argumetnos que convenção do contrario os que sustentam esse absurdo; e porque essa crença que em huns denota crassa ignorância patenteia em outros cegueira calculada, entendo que por ahi anda insuflação. Por ora não me consta que o povo siga a direção de algum individuo mais grado (...) Presentemente a gente mais miuda de ambos os partidos em que se divide a Província mostra igual repugnância contra o Decreto e he mais uma razão para que seja reforçado o Destacamento (...).
verso - O soldado que me trouxe a carta de Vexcia a que respondo, deu por motivo de sua tardança o ter sido retido por um grupo de desordeiros acoitado na mata de São João no caminho de Pau Dalho, onde fora levar um oficio, cuja entrega lhe ordenaram que fizesse ao Subdelegado dali, antes de vir-me entregar a referida carta de Vexcia.
N.B. - Quando ia fechar a presente, soube que a reunião de cinqüenta senhores de engenho, havida na Escada, é uma sociedade filial de outra existente no Recife, e cujos estatutos na forma da lei tem de ser enviados ao Subdelegado respectivo. Cidade de Vitória, 6 de janeiro de 1852, Anselmo Francisco Toretti, Juiz de Direito.
fl.39 - “ontem pelas duas horas da tarde cheguei a esta vila acompanhado do Delegado, Subdelegado, Coronel da Legião e outras muitas pessoas e uma escolta de 1a. Linha que nos foi buscar nas matas do Belo Monte, onde nos achávamos refugiados desde o 1o. deste ano à escaparmos dos furores da população desenfreada e armada que de diferentes partes afluíram para esta vila. Daquele engenho oficiei 1a. e 2a. vez dando parte das ocorrências e pedindo providencias a Vexcia. Infelizmente meu segundo ofício foi tomado pelos revoltosos e persuadindo-me eu que com mma fizerem ca melhor ficaria Vexcia orientado de tudo quanto por esta vila se passava emprehendendo no dia 3 do corrente fugir por caminhos esquisitos, onde pensávamos não encontrar embaraços fomos cair à uma força dos sediciosos que acabavam de assaltar o engenho Canavieira, aí fomos presos, fugindo alguns dos nossos conduzindo eles para a cadeia da Vila o Subdelegado e mais quatro indivíduos, deixando-me salvo depois de muitas promessas e rogativas, levando-me com o cavallo tendo se me inteiramente insultado e ameaçado de matar-me. Nessa mesma tarde pude ainda voltar a pe para o engenho que dista duas léguas e meia em busca dos meus companheiros e ali os encontrei nas matas, onde a eles me reuni ate hontem q vimos pa a villa como disse a Vexcia. Não posso descrever o estado anarchico a que chegou a villa, e o terror sustos e aflições por que passarão as famílias vendo-se a cada momento insultadas e ameaçadas de morte e saques tendo eles dado principio a materem-se uns aos outros Vexcia melhor saberá calcular os efeitos da população desenfreada e sem chefe, reunida a bandos e mandados por pessoas despeitadas e desordeiras que por considerações mesquinhas aproveitando-se da ignorância dos povos lhes incutirão que o Decreto de 18 de junho (...) reduzi-los a escravidão e sobrecarregalos de tributos, vexações a que eles se não deviam jamais sujeitar. Athe hoje nada tem aparecido e goza-se de socego, mas a paz he efêmera, e me persuado que a anarchia reaparecerá, por que os sediciozos se não largarão ainda os ? e refugiados nas matas espalhão pelas ? que logo que se retirar o Missionário para a villa a assaltarem o destacamento, qualquer que ele seja; o que eu posso afirmar a Vexcia de que a população esta assaz illudida e disposta para tudo, achando-se ainda um grande grupo armardo na povoação da Glória e assim pensão que a força e muita força os poderá conter. Algumas famílias procuram retirar-se deste lugar, eu mesmo pretendo o quanto antes retirar a minha para essa cidade, e pesso a Vexcia que solicite do Gov a minha remoção para que afim de não (?ilegível) - Juiz de Direito João P. de Miranda, 11 janeiro, Paudalho.
fl.40 - “No dia 5 do corrente mês comuniquei a Vexcia o estudo de ameaça em que se achava esta Vila, tendo sido oficio conduzido por um soldado do Corpo de Policia de nome Manuel Lucia Gomes.
No dia 6 pelas 9 horas da manhã foi invadida a vila por cem homens armados e sem Chefe que os comandasse, avançaram a Cadeia e Quartel de Destacamento, tomando as armas e algum cartuxame. Neste mesmo instante saiu o vigário desta Freguesia Feliciano Pereira da Lira a pacificar esta gente, pedindo-lhes que não atacassem as casas, nem praticassem assassinatos; então deram vivas a N.Senhora d`Apresentação (orago desta Freguesia, ao mmo vigário, a S.M.I., à liberdade e ao Povo da Comarca de Limoeiro.)
Às 10 horas do mmo dia vieram uns poucos armados a minha casa, pedindo-me que lhes entregassem a lei que os obrigava a dar os nomes dos seus filhos ao Escrivão de Paz, dizendo que era na dita lei que vinha a ordem do Governo para os captivar! Procurei convencê-los que não existia tal ordem de cativeiro; entretanto que o grupo de gente armado engrandecia, e com mtos vozerios e alaridos pediram-me a Lei para a levar, e pediram a José Maria Freire Garneiro Jr. (filho doutro José Maria, pharmaceutico desta cidade) estudante do curso jurídico, que aqui se acha passando a Festa em casa de um seu tio e advogado Francisco José de Figueiredo, que lesse a lei, e assim que deu principio dito Estudante a leitura da referida lei, quase é assassinado, se não fora o ser salvo por outros e conduzido para a casa do referido tio, indo sem ofensa alguma física, e então a mma gente armada rasgaram o Regulamento que eu havia entregado (...).
Ao meio-dia do mesmo dia 6 veio a minha casa o Vigário comunicar-me que a força armada pretendia arrombar a cadeia, e soltar todos os presos; mas depois contentaram-se que eu mesmo fosse a mesma Cadeia e soltasse os recrutas e mmo um individuo que se achava ferido nas costas por chicotadas que lhe dera o Delegado J. A. Gaião desta Comarca: vendo eu essa perigosa crise, e ameaças de força, fui com o dito vigário a cadeia, e fiz soltar cinco recrutas com o indivíduo surrado, ficando presos os sentenciados. Na mesma hora pediram ao Procurador da Câmara Municipal Jose Maria Vellozo para que abrisse as salas da Câmara e Jurados para (ileg.) se tinha petrora, bala, e armamento, e lhe deitaram facas aos peitos para que abrisse o arquivo, e senão haver dentre eles alguns que se opuseram, certamente o matariam.
Pela uma hora da tarde do mesmo dia, achando-se a força aumentada em numero de 150 mais ou menos, vieram a minha casa pediram mantimentos, dizendo que se eu não os desse avançariam as tabernas, lojas, e casas de famílias, e tirariam o mantimento que achassem para seu sustento, e receando eu este atentado sai pelas casas do comércio e outras particulares pedindo mantimentos e algum dinheiro, que também exigiam, e com isto se contentaram, e passaram o resto da tarde, guarnecendo a Cadeia e as entradas da Vila.
As nove da noite do mesmo dia vieram vinte homens mais ou menos (...) imediatamente franquiei a casa, que foi toda varejada, e nada acharam (...) O resto da noite do referido dia passou-se sem novidades e a mesma força armada nomearam seu Comandante, e daí a pouco o depõem, e tornam a nomea-lo. No dia 7 exigiram de mim um boi para comida e o remédio foi mandá-lo dar (...) è de notar Exmo Sr. que nesta Vila nenhuma Autoridade Policial teve aparecido, e no mesmo dia 6 pelas 9 horas do dia desapareceram o Tem. Cel. da G. Nacional Francisco Lopez de Vasconcelos Galvão Comandante do 1o. Batalhão e com este desapareceram muitas outras pessoas, inclusive os dois Comandantes dos Destacamentos desta Vila, e de Pau Dalho, que aqui se achava refugiado com os respectivos soldados, porque o povo não quis unir-se com estes.
Achando-se somente nesta vila eu, o predito meu vizinho o advogado Figueiredo, que também é major da referido 10. B. da G.N., que tem estado sempre a meu lado.
Até esta hora, que são 9 da noite, ainda não foi invadida casa alguma, só fazem andar pelas ruas.
Vieram a minha casa no dia 7 pelas 10 horas do dia uns poucos da força armada pediram-me que queriam a separação do Norte, e acabar os tributos, e de momento a momento mudam de opinião. A mesma hora pediram-me a soltura de um preso, que não tinha processo, acham-se hoje na vila trezentas pessoas todas bem armadas e entre eles alguns bem intencionados, outros p q só querem derramar sangue. (...) A noite foi guarnecida esta vila por cem homens da G. Nacional da ma confiança dos melhores, com promessas de soldo, que já lhe estava pagando, (...)
Hontem a tarde concordaram comigo, com o vigário, com o advogado Francisco J. de Figueiredo para nomearem Delegado o Dr. Jose Francisco da Costa Gomes, filho desta Comarca, e que já ocupou o cargo de Delegado antes do Delegado que agora é Gaião ausente, moço muito prudente, e para isso oferece-lhe para que venha aceitar desta gente o posto que lhe quizerem dar, contanto que eles se debandem. Disseram ao Vigário que só largariam as armas se viesse aqui o Missionário e lhes assegurasse o que eles querem, eu e o vigário escrevemos cartas particulares ao Missionário de Pau Dalho para vir qto antes missionar aqui (...) a minha despesa tem sido extraordinária (...) Hoje convoquei a Câmara Municipal para ver se aceitando deles a representação que querem se se debandam. (...) Foi bom não ter aparecido o Delegado Gaião porque talvez tivesse sido assassinado pela indisposição geral que há contra ele por ter surrado hum homem forro. (...) estou cercado (...). Existem 300 homens por se terem ido embora alguns. Pelas 4 horas da tarde espalhou-se terror nesta vila, por eles dizerem que haviam as famílias por vir tropa do Governo; mandei colocar na frente da minha casa 60 homens armados e 40 na cadeia, prometendo-lhe suprir de soldo, e como de fato paguei-lhes logo, passou-se a noite tranqüila. Pelas 7 horas da manhã do dia 9 vieram a minha casa pedir mantimentos e a soltura de um preso que sendo seu único crime ter andado na tropa rebelde conforme informou o próprio carcereiro, mandei-o soltar imediatamente; porem no ato da soltura, arrojaram sobre a cadeia e soltaram dois criminosos de morte (...) o que me sensibilizou bastante; por isso retirei-me para Passassunga para casa do Dr. Costa Gomes para juntos irmos pacificar aquela gente. Na mesma viagem de Passassunga encontrei para mais de 150 homens bem armados, e comandados por Domingos Camilo Mendes da Cunha Azevedo, José de Barros Silva e Manoel Gomes de Araújo, pessoas brancas e de sentimentos de ordem, e chamarão-me particularmente no caminho, e disseram-me que aquela gente tinha ido a suas casas, e abrigaram-nos a sair sob pena de morte, para os comandar; eu então lhes encomendei que tomassem conta da força, que aqui estava, e continuei a mesma viagem a Passassunga com intenção de ir a Pau Dalho, mas as 7 horas da noite recebi um oficio dos 3 comandantes do Povo armado que em nome dele voltasse a vila, para que trazendo o Dr. José Francisco da Costa Gomes nesta vila reunisse a Câmara Municipal para inderessarem sua representação a Vexcia (...) Chegamos hoje 10 do corrente pelas 11 horas da manhã, achei a resposta da minha carta, que tinha mandado ao Missionário da Penha Fr. Caetano, (...) e uma exortação que ele fez aos povos de Pau Dalho, os quais fiz ler perante o povo; porem ainda se não querem debandar, sem que façam uma representação em seu nome para o que mandei convidar os vereadores da Câmara Municipal. (...) Acham-se reunidas 500 pessoas na força armada. Hoje 11 do corrente, indo a casa da Câmara para que reunida ouvisse o Povo, achei as portas do arquivo todas arrebentadas, e os livros rasgados.
Comarca do Limoeiro, 11 de janeiro pelas 11 horas do dia de 1852, Manoel Teixeira Peixoto, Juiz de Direito.
Escrito por Brasil Independente 2008 às 18h17
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