Tema 8 - Roteiro dos documentos
TEMA 8: A questão territorial e o problema do controle da população
Revolta do "Ronco da abelha" ou Guerra dos "Marimbondos" (1851-1852)
Movimento de resistência popular contra os decretos de 1851 que instituíam o “Censo Geral do Império” e o “Registro Civil de Nascimentos de óbitos”. A população temia que os decretos fossem uma tentativa de escravização de homens livres ou libertos. Em tempo de crise de mão-de-obra, de fim do tráfico de escravos, ser negro ou mulato e não ter sua condição de livre comprovada era visto como altamente arriscado.
Houve revoltas desse tipo nas províncias de Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Sergipe e Ceará. Os revoltosos entravam nas casas dos juízes de paz para rasgarem a lei, impediam que os vigários lessem a lei nas igrejas; e também faziam ajuntamentos e ameaçavam ocupar as vilas. Em muitos lugares, os transtornos ocorriam aos sábados (dias de feira), domingos ou dias festivos, quando a população se encontrava com mais facilidade.
Em Garanhuns, houve um dos acontecimentos mais noticiados da revolta. No dia 26 de janeiro de 1852, a cidade foi ocupada por 300 sediciosos, o que resultou no assassinato do juiz de paz da região. Muitos fazendeiros fugiram assustados para as matas ou para as cidades mais próximas.
Em Alagoas e Sergipe, o governo instaurou processos contra os “criminosos”. Já em Pernambuco e na Paraíba, onde a revolta foi maior e a situação era mais delicada, a tônica foi a da negociação. O presidente da Paraíba suspendeu a execução do Decreto.
Em Pernambuco, faltavam armamentos, munição e mantimentos. Além disso, as cadeias eram de péssima construção e muitos membros da Guarda Nacional aderiram ao movimento. Assim, no esforço por uma pacificação rápida e pela consolidação do Estado nacional optou-se pela anistia da maioria dos revoltosos. Mesmo no caso da morte do juiz de paz, a recomendação do delegado era de não fazer sequer o pronunciamento, já que não haveria testemunhas para depor.
Finalmente, em 29 de janeiro de 1852 (a população só ficou sabendo em meados de fevereiro), o governo mandou oficialmente suspender a execução dos decretos. De qualquer maneira, o governo já vinha cedendo desde o início do movimento, seja liberando os párocos de exigir a certidão para realizar os batismos, seja não substituindo os editais rasgados, ou ainda não cumprindo o ritual da leitura na missa.
Escrito por Brasil Independente 2008 às 23h17
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